Cada AVP organiza um campo específico de leitura. Abaixo estão as bases principais, o que cada base ajuda a observar e referências para aprofundamento.
AVP 01
AVP – Comunicação de Impacto e Relações de Poder
Base principal
Esta AVP se apoia na literatura contemporânea sobre assertividade, escuta no trabalho, voz organizacional, segurança psicológica, feedback e comunicação em relações assimétricas de poder. A comunicação é tratada como competência estratégica: envolve clareza de expressão, escuta ativa, leitura de contexto, sustentação de conversas difíceis, negociação de interesses e influência sem manipulação, agressividade ou evitação.
O que essa base ajuda a observar
- Clareza para expressar ideias, limites, expectativas e discordâncias em ambientes de alta exigência.
- Qualidade da escuta, abertura ao contraditório e capacidade de transformar feedback em ajuste prático.
- Postura diante de conflito, hierarquia, pressão política e relações de poder.
- Capacidade de influenciar stakeholders sem perder precisão, ética ou maturidade relacional.
- Tendência à evitação, à passividade, à agressividade defensiva ou à comunicação excessivamente indireta.
Referências para aprofundamento
- Kluger, A. N., & Itzchakov, G. (2022). The Power of Listening at Work. Annual Review of Organizational Psychology and Organizational Behavior. Revisão sobre escuta no trabalho, liderança, confiança, qualidade das relações, atitudes no trabalho, desempenho e bem-estar. Acessar referência
- Speed, B. C., Goldstein, B. L., & Goldfried, M. R. (2018). Assertiveness Training: A Forgotten Evidence-Based Treatment. Clinical Psychology: Science and Practice. Base para compreender assertividade como repertório de expressão direta, defesa de limites e redução de padrões passivos ou agressivos. Acessar referência
- Morrison, E. W. (2014). Employee Voice and Silence. Annual Review of Organizational Psychology and Organizational Behavior. Ajuda a sustentar a leitura de voz, silêncio, omissão e coragem comunicacional em ambientes organizacionais. Acessar referência
- Frazier, M. L., Fainshmidt, S., Klinger, R. L., Pezeshkan, A., & Vracheva, V. (2017). Psychological Safety: A Meta-Analytic Review and Extension. Personnel Psychology. Conecta comunicação, segurança para falar, aprendizagem, desempenho e relações de poder nas equipes. Acessar referência
- Adriani, P. A., Hino, P., Taminato, M., Okuno, M. F. P., & Santos, O. V. (2024). Non-violent communication as a technology in interpersonal relationships. International Journal of Nursing Studies Advances. Referência complementar para comunicação não violenta em relações interpessoais e ambientes de cuidado sob pressão. Acessar referência
AVP 02
AVP – Auditoria de Economia Psíquica
Base principal
Esta AVP se apoia em literatura sobre fadiga decisória, custo autorregulatório, carga cognitivo-emocional, escolha forçada e julgamento situacional. A proposta é observar como a pessoa responde quando precisa sustentar performance, decidir, lidar com falhas, preservar energia, pedir ajuda, delegar e enfrentar pressão sem transformar autocontrole em desgaste contínuo.
O que essa base ajuda a observar
- Padrões de resposta diante de pressão, sobrecarga, cobrança e ambiguidade.
- Tendência à hiper-responsabilização, evitação, isolamento, controle excessivo ou autossacrifício funcional.
- Sinais de fadiga decisória e perda de clareza quando há excesso de demandas concorrentes.
- Estratégias de preservação, recuperação, delegação e pedido de ajuda.
- Custo psicológico percebido para manter performance e imagem profissional sob tensão.
Referências para aprofundamento
- Pignatiello, G. A., Martin, R. J., & Hickman, R. L. (2018). Decision fatigue: A conceptual analysis. Journal of Health Psychology. Base central para compreender fadiga decisória como fenômeno associado ao acúmulo de escolhas e ao comprometimento da qualidade decisória. Acessar referência
- Lievens, F., Peeters, H., & Schollaert, E. (2008). Situational judgment tests: A review of recent research. Personnel Review. Sustenta o uso de cenários como método aplicado para observar julgamento, decisão e resposta comportamental em situações realistas. Acessar referência
- McDaniel, M. A., Hartman, N. S., Whetzel, D. L., & Grubb, W. L. (2007). Situational judgment tests, response instructions, and validity: A meta-analysis. Personnel Psychology. Meta-análise sobre validade e uso de testes de julgamento situacional em contextos aplicados. Acessar referência
- Hagger, M. S., Wood, C., Stiff, C., & Chatzisarantis, N. L. D. (2010). Ego depletion and the strength model of self-control: A meta-analysis. Psychological Bulletin. Referência histórica para o modelo de autocontrole como recurso limitado, útil para contextualizar a hipótese de custo autorregulatório. Acessar referência
- Hagger, M. S. et al. (2016). A multilab preregistered replication of the ego-depletion effect. Perspectives on Psychological Science. Referência de cautela: mostra por que a AVP deve tratar ego depletion como hipótese histórica e usar fadiga decisória/carga autorregulatória como base mais defensável. Acessar referência
AVP 03
AVP – Liderança e Estilo de Gestão
Base principal
Esta AVP se apoia em literatura sobre liderança ética, liderança servidora, liderança transformacional, troca líder-membro e traços de personalidade aplicados ao comportamento de gestão. O foco é observar como o líder exerce autoridade, toma decisões, comunica expectativas, delega, oferece feedback, preserva coerência ética e sustenta influência em contextos de responsabilidade.
O que essa base ajuda a observar
- Estilo de autoridade, delegação, feedback e condução de equipe.
- Coerência entre discurso, decisão, comportamento e responsabilidade ética.
- Tendência a microgestão, evitação de conflito, controle excessivo ou abdicação de liderança.
- Capacidade de gerar confiança, clareza, engajamento e direção em momentos de pressão.
- Traços comportamentais associados a conscienciosidade, abertura, estabilidade emocional, amabilidade e honestidade-humildade.
Referências para aprofundamento
- Brown, M. E., Treviño, L. K., & Harrison, D. A. (2005). Ethical leadership: A social learning perspective for construct development and testing. Organizational Behavior and Human Decision Processes. Base para liderança ética como modelagem social, comunicação, tomada de decisão e reforço de condutas responsáveis. Acessar referência
- Eva, N., Robin, M., Sendjaya, S., van Dierendonck, D., & Liden, R. C. (2019). Servant Leadership: A systematic review and call for future research. The Leadership Quarterly. Revisão sistemática sobre liderança servidora, desenvolvimento de liderados, ética e orientação ao outro. Acessar referência
- Judge, T. A., & Piccolo, R. F. (2004). Transformational and transactional leadership: A meta-analytic test of their relative validity. Journal of Applied Psychology. Meta-análise clássica para diferenciar liderança transformacional, transacional e seus vínculos com critérios de efetividade. Acessar referência
- Soto, C. J., & John, O. P. (2017). The Next Big Five Inventory (BFI-2): Developing and assessing a hierarchical model with 15 facets. Journal of Personality and Social Psychology. Referência contemporânea para o Big Five e facetas aplicáveis à leitura de padrões comportamentais. Acessar referência
- Ashton, M. C., & Lee, K. (2007). Empirical, theoretical, and practical advantages of the HEXACO model of personality structure. Personality and Social Psychology Review. Base para o uso conceitual do HEXACO, especialmente pela dimensão honestidade-humildade em contextos de poder e gestão. Acessar referência
AVP 04
AVP – Performance Sustentável e Bem-estar
Base principal
Esta AVP se apoia em modelos de bem-estar, engajamento, demandas e recursos de trabalho, recuperação e prevenção de desgaste ocupacional. A performance é tratada como capacidade de sustentar resultado sem depender continuamente de privação de sono, hipercontrole, ausência de pausas, perda de recuperação ou compensações que cobram preço alto no médio prazo.
O que essa base ajuda a observar
- Relação entre resultado, energia, recuperação, hábitos e consistência comportamental.
- Sinais de excesso de demanda, baixa recuperação, cinismo, queda de eficácia ou distanciamento do trabalho.
- Recursos pessoais e contextuais que protegem engajamento, clareza e bem-estar.
- Capacidade de sustentar alta performance sem colapsar vida pessoal, saúde ou relações.
- Padrões de descanso, autorregulação e manutenção de energia em ciclos de pressão.
Referências para aprofundamento
- Butler, J., & Kern, M. L. (2016). The PERMA-Profiler: A brief multidimensional measure of flourishing. International Journal of Wellbeing. Base para avaliar bem-estar em múltiplas dimensões: emoção positiva, engajamento, relações, sentido e realização. Acessar referência
- Bakker, A. B., Demerouti, E., & Sanz-Vergel, A. (2023). Job Demands–Resources Theory: Ten Years Later. Annual Review of Organizational Psychology and Organizational Behavior. Referência atual para compreender demandas, recursos, engajamento, burnout e funcionamento ocupacional sustentável. Acessar referência
- Sonnentag, S., & Fritz, C. (2007). The Recovery Experience Questionnaire: Development and validation of a measure for assessing recuperation and unwinding from work. Journal of Occupational Health Psychology. Base para observar recuperação, desligamento psicológico, relaxamento, domínio e controle fora do trabalho. Acessar referência
- Maslach, C., & Leiter, M. P. (2016). Understanding the burnout experience: recent research and its implications for psychiatry. World Psychiatry. Revisão sobre exaustão, cinismo, eficácia profissional e implicações contemporâneas da experiência de burnout. Acessar referência
- World Health Organization (2019/2022). Burn-out as an occupational phenomenon in ICD-11. International Classification of Diseases 11th Revision. Define burnout como fenômeno ocupacional ligado ao estresse crônico de trabalho não manejado com sucesso. Acessar referência
AVP 05
AVP – Propósito e Direção Estratégica
Base principal
Esta AVP se apoia em literatura sobre valores humanos, motivação autônoma, sentido no trabalho, identidade profissional e alinhamento entre valores, escolhas e ação. Propósito é tratado como direção prática: aquilo que ajuda a pessoa a priorizar, renunciar, comunicar, decidir e sustentar coerência quando há pressão externa, ambição e conflito de expectativas.
O que essa base ajuda a observar
- Clareza de valores, prioridades e critérios de decisão.
- Coerência entre identidade, metas, escolhas profissionais e direção estratégica.
- Motivação autônoma versus atuação movida apenas por aprovação, pressão ou status.
- Capacidade de traduzir visão em decisões, renúncias, comunicação e execução.
- Sinais de desalinhamento entre ambição externa, necessidades internas e contexto organizacional.
Referências para aprofundamento
- Schwartz, S. H. (2012). An Overview of the Schwartz Theory of Basic Values. Online Readings in Psychology and Culture. Base para compreender valores como metas motivacionais que orientam julgamento, escolha e comportamento. Acessar referência
- Sagiv, L., & Schwartz, S. H. (2022). Personal Values Across Cultures. Annual Review of Psychology. Atualiza a compreensão de valores pessoais em diferentes culturas e contextos de vida. Acessar referência
- Ryan, R. M., & Deci, E. L. (2017). Self-Determination Theory: Basic Psychological Needs in Motivation, Development, and Wellness. Guilford Press. Base para autonomia, competência e vínculo como necessidades relacionadas à motivação e funcionamento psicológico. Acessar referência
- Vansteenkiste, M., Ryan, R. M., & Soenens, B. (2020). Basic psychological need theory: Advancements, critical themes, and future directions. Motivation and Emotion. Referência atual para necessidades psicológicas básicas dentro da Teoria da Autodeterminação. Acessar referência
- Rosso, B. D., Dekas, K. H., & Wrzesniewski, A. (2010). On the meaning of work: A theoretical integration and review. Research in Organizational Behavior. Revisão sobre sentido no trabalho, identidade, contribuição, pertencimento e coerência. Acessar referência
AVP 06
AVP – Resiliência Executiva
Base principal
Esta AVP se apoia em literatura sobre resiliência psicológica, resiliência no trabalho, perseverança, adaptação sob pressão e aprendizagem com erro. O foco não é medir força mental como traço fixo, mas observar repertórios de continuidade, recuperação, flexibilidade e disciplina quando a pessoa enfrenta frustração, volatilidade, falhas e exigência prolongada.
O que essa base ajuda a observar
- Capacidade de recuperar foco e ação após erro, crise, crítica ou frustração.
- Disciplina de longo prazo, perseverança e continuidade sem rigidez destrutiva.
- Flexibilidade para revisar estratégia sem interpretar mudança como fracasso pessoal.
- Tolerância à ambiguidade, pressão, incerteza e ciclos de aprendizado.
- Risco de persistência cega, autossuficiência defensiva ou confusão entre resiliência e suportar tudo.
Referências para aprofundamento
- Sisto, A. et al. (2019). Towards a transversal definition of psychological resilience. Medicine. Propõe uma definição transversal de resiliência psicológica, articulando adaptação positiva diante de adversidade. Acessar referência
- Hartmann, S., Weiss, M., Newman, A., & Hoegl, M. (2020). Resilience in the workplace: A multilevel review and synthesis. Applied Psychology. Revisão multinível sobre resiliência no trabalho, conectando indivíduo, equipe e organização. Acessar referência
- Duckworth, A. L., Peterson, C., Matthews, M. D., & Kelly, D. R. (2007). Grit: Perseverance and passion for long-term goals. Journal of Personality and Social Psychology. Base para compreender perseverança e constância de esforço em objetivos de longo prazo. Acessar referência
- Credé, M., Tynan, M. C., & Harms, P. D. (2017). Much ado about grit: A meta-analytic synthesis of the grit literature. Journal of Personality and Social Psychology. Meta-análise que ajuda a usar grit com cautela, especialmente por sua proximidade com conscienciosidade e perseverança de esforço. Acessar referência
- Sisk, V. F., Burgoyne, A. P., Sun, J., Butler, J. L., & Macnamara, B. N. (2018). To what extent and under which circumstances are growth mind-sets important to academic achievement?. Psychological Science. Meta-análise que sustenta o uso cuidadoso de growth mindset como crença funcional de aprendizagem, sem promessas exageradas. Acessar referência
AVP 07
AVP – Tomada de Decisão sob Incerteza
Base principal
Esta AVP se apoia em literatura sobre julgamento e decisão sob risco, heurísticas, vieses cognitivos, aversão à perda, intuição, deliberação e debiasing. A tomada de decisão é observada como processo situado: depende de informação disponível, pressão temporal, custo do erro, emoção, contexto político, tolerância ao risco e capacidade de revisar hipóteses.
O que essa base ajuda a observar
- Equilíbrio entre análise deliberada, intuição prática e velocidade decisória.
- Tendência à paralisia por análise, impulsividade, busca excessiva de validação ou aversão ao risco.
- Consciência de vieses como ancoragem, disponibilidade, excesso de confiança, enquadramento e aversão à perda.
- Capacidade de decidir com informação incompleta sem negar incerteza ou terceirizar responsabilidade.
- Uso de evidências, critérios e revisão de hipóteses em decisões estratégicas.
Referências para aprofundamento
- Kahneman, D., & Tversky, A. (1979). Prospect Theory: An Analysis of Decision under Risk. Econometrica. Referência clássica e indispensável para decisões sob risco, perdas, ganhos e aversão à perda. Acessar referência
- Tversky, A., & Kahneman, D. (1974). Judgment under Uncertainty: Heuristics and Biases. Science. Base clássica sobre heurísticas de representatividade, disponibilidade e ancoragem em julgamentos sob incerteza. Acessar referência
- Berthet, V. (2022). The Impact of Cognitive Biases on Professionals’ Decision-Making. Frontiers in Psychology. Revisão sobre impacto de vieses cognitivos em decisões profissionais em áreas como gestão, saúde, direito e finanças. Acessar referência
- Bellini-Leite, S. C. (2022). Dual Process Theory: Embodied and Predictive. Frontiers in Psychology. Discussão contemporânea sobre teorias de duplo processo, úteis para diferenciar resposta rápida, intuição e deliberação. Acessar referência
- Soll, J. B., Milkman, K. L., & Payne, J. W. (2015). A User’s Guide to Debiasing. Wiley-Blackwell Handbook of Judgment and Decision Making. Base aplicada para reduzir vieses por meio de estrutura decisória, comparação de alternativas e revisão de premissas. Acessar referência